terça-feira, 26 de agosto de 2014

Distante...

Sou um cara distante...
Distante de todos...
Distante das coisas...
Distante de tudo.

Alheio a sentimentos de momento...
A margem dos colóuios coloquiais do cotidiano...
Ignorante das manchetes do jornal do dia... e displicente quanto a soma de vitimas do "Bandeira Dois", creio extinto programa policial de rádio.

Assimilo os dias em doses homeopáticas...
Por correspondência...
Por telégrafo...
Por carta...

Distante em face... distante no tempo...

Distante...

até de mim.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um taxi...

Um taxi...
Por conta de uns goles de cerveja.

Quatro amigos... uma balada...
Um taxista... jornada dupla... e uma noite sem dormir na com o filho no hospital...
Linha vermelha... a vontade de chegar em casa... velocidade... um cochilo... uma curva... a mureta...

Três mortos... dois aleijados...

Nunca mais corri... nunca mais tive o controle de meus pés... nem sequer pés... pois me sobrou apenas um...

Porém, mais triste foi o destino de Antonio... recebeu pelo seguro do veículo... comprou outro taxi...

Repousa em sua garagem... com cheiro e novo... seu cunhado dirigiu até sua casa...

Antonio... nunca.

Antonio só usa onibus e metrô... nunca mais entrou em outro carro... pensar em dirigir outro carro lhe causa crises de pânico... e a culpa lhe corroe a alma... a sanidade... lhe torna a vida algo semelhante a tortura...

Não piso com os dois pés... não ando com um após o outro... mas minhas rodas giram... me levam onde quero... ao contrario das rodas do carro de Antonio...

Aleijadas... tal qual o dono.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

E fico aqui...

... e fico aqui...
Na poltrona...
Junto ao abajur...
Esperando a noite passar...
Como fiz ontem...
Como fiz em tantas outras noites a te esperar.

A porta e janela fechadas para o mundo...
Sufocam o que sinto...
A dor...
Tristeza...
Angústia...
Saudade...
Sufocam minhas vontades...

Minha vontade de continuar aqui...

Desligo a luz do abajur...
mas continuo aqui...
com os olhos abertos a espera de um fim que não vem.