domingo, 4 de março de 2012

Dia dos Pais



Poesia


Lembro de você e penso na possibilidade

prática do teorema probabilístico de "Chêiquispiri":

"Ser ou nao ser, eis a questão".

Ser ou não ser é a questão.

Mas ser é mandatório,

ser é singularidade,

ser não é opção,

ser é ser,

por si só e sem condições.

Por isso sou!

...

Sou mais você!



Dedico este poema ao meu pai.


Ao som de 'Pai' - Fábio Júnior - http://www.youtube.com/watch?v=YoiDOrL28Rk -
Degustando Café com leite
Fumando Hollywood Original
Imagem:'Pai e Filho' - Fla Barbieri

Confesso que minto...


Confessas a tristeza em descobrir a mentira, confessas a insegurança que isso traz de não saber mais o que pode ou não ser verdade. E me perguntas reprovando parte de meu eu: "Não há nem o que dizer, não é mesmo?". Sem resposta ouço grilos e o silêncio da insegurança e do medo baterem em minha cara, próximo percebo a vergonha a rir de mim e sinto plena vontade subita de correr dali.
Mas depois de pensar, junto com meu travesseiro, lembro de premissa antiga de que "Só a verdade liberta." e te respondo agora que: "Sim. Há o que dizer. E agora sei o que dizer. Posso te contar a verdade. Não posso te contar todas as verdades, até porque o conhecer de toda a verdade não me pertence, mas a verdaed sobre este fato te posso contar." Não recordo bem o que te disse, bem como as tantas versões para a mesma estória que já contei, mas te confesso agora a original e única.
Me olhas com reprovação, e novos grilos são o único som que se ouve, exercitas novamente a arte do silêncio e praticas a capacidade que tens de me fazer querer mais, mesmo tendo medo de admitir isso. Mais uma vez confesso que minto. Mas confesso também que te falei mais verdades que mentiras e que nunca menti quando falei de meus sentimentos, sejam por ti ou por outrem.
Se gosto de contar estórias e usar o verbo para vender flores ao preço de rosas é apenas para te chamar a atenção, algo que não consigo mais deixar de fazer, pelo menos não por enquanto. Lembro do que escrevi a poucas horas em outro poema: "Faça amor não faça guerra, Lute apenas pelo que vale a pena, ou seja, só faça guerra por amor." Confesso que nem mesmo sei se escrevi dessa forma ou se a autoria é minha. para justificar o plágio ou a nova versão, digo meio sem graça, e sem vergonha, que sou: "Fazer o que!? Não tenho memória e sim vaga lembrança."
Confesso mais uma vez que minto, adimito e não me envergonho disso. Até por que todos pentem seja por vaidade, interesse, para proteger alguém da verdade, pela solidão, por medo e até mesmo por amor... Confesso que minto e confesso que nem mesmo sei o motivo de mentir, mas confesso também que espero chegar o dia em que te direi somente verdade: te...

"Once, a pioneer. Twice, a prostitute."...

Disse Jim Morrisson, quando interrogado por um grande, desesperado e quase choroso produtor da TV americana, por ter "gritado" 'sonoramente' irado e desbravador 'high' (alto) durante uma transmissao ao vivo ao cantar com sua banda uma de suas mais famosas melodias.
O problema não foi a palavra propriamente dita, mas sim o contexto em que ela estava inserida. Precedida por um 'get'(ficar), tornava automático a associaçao a drogar-se, que era o que a cançao realmente queria expressar.
Bem ou mal, tal executivo havia alertado que deveriam substituir durante a transmissao aquele promiscuo, perigoso e herege 'verbo' por algo mais light ao inves de alto. Algo interpretado como um contracenso por Jim pois ele deveria achar lógica no fato de que o que é mais leve geralmente está no alto.
Ao fechar delicadamente a porta do camarim onde estava a banda 5 minutos antes de entrarem no ar, o poeta da banda olha para Jim e pergunta: o que faremos agora? - Eu que sei!? Quem escreve as letras e vc! - Responde a voz do grupo, confiando a missao a quem mais experiencia tinha com as palavras.
Por fim de contas. Jim fecha a conta de suas aparições naquela emissora seguindo de maneira ortodoxa a receita da letra original sem tirar nem por virgula ou acento, de madeira, ferro ou plástico biodegradável.
Lembro de escutar o então já caleijado 'producer' sentenciar: "Vcs nunca mais cantarão na TV". Jim com um sorriso misto de pegadinha do faustão e siceridade sarca'stica com pitada de ironia agridoce atesta: "Nós acabamos de fazer isso 'dude'(carinha, meu, mano, irmão)" e encerra o diálogo com o título ou tema deste relato: "Da primeira vez, pioneiro. Da segunda vez, vagabunda." ao pezinho de letra.

O telefone, as cartas e os selos

E' de noite que o telefone parece tão sedutor,
a vontade de escutar tua voz me faz querer render as delicadas teclas e te ligar.

Escrevo-te carta que nunca te enviarei.

Deixei-te ir, deixei-te arrumar as malas e partir...

e so' me consola o telefone, a escrivaninha, a caneta, as cartas, os envelopes e os selos que nunca lamberei.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Trigenição - O retorno

..homem , esguio de má vontade, acende um cigarro, como que fumar gostaria, sem que precisa-se acende-lo. Barbas compridas, cabelo por cortar, desleixado, e inconsciente de sua razão de ser.Entre um trago e outro, pergunta ao flanelinha:
- Você sabe qual a melhor mágica que um homem pode fazer?
- Botar comida na mesa de minha casa, ajudando pessoas a estacionar seus carros...
Contrariado, ele responde:
- Errado...
- Porquê?
- O mais mágico é de dois fazer um.
- Não entendo - diz o moleque já coçando a cabeça, seja por falta de banho, por parasitas, ou quem sabe até por realmente se interessar por aquele papo ébrio de fim de noite...
- Simples, você tem dois carros, um quebra, você então começa a usar o outro, mas este também quebra, o que você faz?
Se sentindo num mato sem cachorro o "muleque" responde irriquieto e contrariado:
-Boto ambos na oficina e ando de ônibus até ficarem prontos.
-Errado
-O que deveria fazer então?
- Desmonte ambos e construa um carro melhor...
Com riso entrecortando discretamenta, o esboço de bochecha que aquele homem magro poderia ter algum dia e já tragando talvez por uma última vez esta noite, desatenta-se um pouco e o muleque contrariado responde após pensar um pouco:
- E o senhor sabe de um grande mistério, que talvez eu lhe diga a resposta e você nunca entenda?
O homem desatento reponde como que não houvesse nada que aquele menino pudesse lhe perguntar que ele mesmo já não tivesse descoberto por si só...
- O que?
- A maneira de um virar dois...
- Como assim?
- Acredita em Deus?
O descrente e afetado responde como todo "ateu graças a Deus":
- Sim...
Uma dúvida lhe entrecorta as madeixas e lhe deixa um pouco nu diante da dúvida que aquele quase nada lhe fizera mistério...
- Pronto, teve um cabra arretado que veio por essas banda e disse que era filho dele e o próprio Deus, e fez coisa que até Deus duvida...




Indescriti'vel leveza da cruz...

E quando da tristeza e do sofrimento [que percebo o quanto meu trabalho [me faz mal. E' quando da insegurança [do medo de errar, [do medo de não fazer o suficiente, [da incerteza do certo e errado, [do que e' bom do que e' bem, [do que sinto, do que [deveria sentir. Que não gosto do que faço, [que sofro, [que sou atormentado, [e atormento, [que percebo, Que não gosto... [so' amo.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A u'nica ouvinte de minha ra'dio nacional...

Perdi minha u'nica ouvinte,
minha u'nica leitora,
a u'nica pessoa que sabe de minhas dores,
a u'nica pessoa que sabe tanto quanto eu o que são as dores do mundo.

Tenho a impressão que nada mais ha' de ser escrito,
se não ha' quem leia, que sentido faz escrever!?
Deixarei de lado, as madrugadas e as dores, deixarei de lado as cartas que te escrevo,
e deiarei de lado a minha vontade de viver.


Nausea

Meu coração do'i
doi apenas quando respiro...

meu orgulho diz que e' melhor que nada sentir.

Meu estômago, embrulhado pelo ultimo adeus,
insiste em devolver o almoço.

Corro para o banheiro, ensaio vomitar minhas mentiras,
mas nada ale'm de tosse e vergonha atravessam a goela.

Retorno a ma'quina de escrever, e vomito nela todas as minha dores,
minha nausea, insiste que tenho que tambe'm vomitar o almoço na ma'quina de escrever.
Tento um antia'cido,
sem sucesso,
e ainda com o coração doi'do,
vomito as dores que causei,
vomito minhas dores,
aspiro a socioptia e morro engasgado em minhas proprias mentiras.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Gelo e cigarros...

O wisky gelado,

"on the rocks"

qual rock'n'roll.

Rola em minha
       goela

Abaixo,

         de todas
    as dores, lembranças

de amores e amores
       que vivo
                e vivi,

amo, e o wisky

vaqueiro, straight

me amansa a alma

a ama e as paixões

deli'cias de uma noite

que ja' passou,

              o sol nasce.

Lui's do "Braço-forte"

... me canta:

que mundo bonito,

belo, e maravilhoso

deve estar chorando

de mu'sicas, canções

mero bastardo,

doce, aveludado
      e desgraçado

que me faz chorar
com seu blues e jazz, não sei bem certo...

tristezas que não são minhas.

Algumas pa'ginas...

Perdi alguns dias de

     minha agenda,

              esqueci o dia
   6 de fevereiro e

        não mais se
quero lembrar do

     16 de março,,

um da que pensava
 
ser como outro

qualquer mas foi

diferente, inquieto e

louco, e me perdi,

quando conheci

                   você.

Segunda-feira

Mais um dia de
   feira em que os
bares e borde'is de
minha prostituta,
      chamada de senhora,
rainha
     do mar, não abrem.

Mas quem disse que
      as pessoas não amam
não pecam, bebem,
fumam ou fodem
     nas segundas-feiras!?

Ressaca. Dos infernos,
dantescas e poe'ticas

... Segundas-feiras.

Diabos!

Domingo

Sagrado, profano e
         de carros acelerando
no planeta dos macacos.

Esqueço...

Esqueço as correntes
     que prendem meu
coração as dores
do mundo ao
perceber a carência,
         sofrimento e dor
de meu irmão
      que chora...
seja por falta
    de carinho
    de aconchego
    de amor ou
             atenção

de quem pode
    fazer algo
       por mi'nimo que
   seja, conforto
de um olhar,
   por mi'nimo que
       que seja o

minuto dispensado
   a chorar por
                 
                  amor.

Aviões...

Vejo muitos viajarem para
       longe, para ajudar
      outros muitos,
               perdidos e sem
                        caminho.
Esquecem que perto
                      [de si
      muito perto de onde
           estão, tal qual
      embaixo do nariz
           ha outros tantos
      a pedir ajuda
          socorro, peregrinos
tambe'm em busca de fe'.

Antonio a lá "Carlos Bucausqui"

É a na madrugada,
na noite,
que minhas linhas fazem sentido,
afogam o pouco de humano que há neste redator de mentiras e traição.

É o pouco de humanidade que morre em mim,
quando o divino se faz ausente e difícil de se entender...

É no calada, da noite, de seus pensamentos,
que o amor me parece tão distante,
que o teu calor parece glacial,
e que minhas dores extenuantes, parecem ser sem fim...

é na minha dor que quero foder,
te deserdar de personificação, de ser, de estar...

é querendo estuprar teus sentimentos e teus amores,
que sinto que minha dor não é nada além de insônia, mágoa e rancor.

Sou Antonio,
mas hoje com uma pitada de Charles Bukowski,
- E o que devo fazer!?
Afinal, o amor é mesmo um caos dos Diabos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um cigarro, uma madrugada e as dores do mundo...

Morro um pouco a cada cigarro,

prazer, contente, pois livrarei o mundo de minha tristeza,

livrarei minhas tristezas do mundo,

afogando meu ultimo suspiro a cada trago,

a cada gole de medo, isolamento e dor,

vontade de fugir,

e bem longe esquecer quem sou,

onde vou,

e com o cigarro aceso,

destilo em cada trago minha solidão,

e me alimento da dor de ser sozinho...

mesmo estando no meio da multidão.