Não peço um romance de conto de fadas,
De sorrisos frouxos e juras perfeitas.
Prefiro a paz das nossas caras amarradas,
E as nossas manias, tão insatisfeitas.
Você tem esse jeito de quem não se importa,
Um doce azedinho que aprendi a amar.
Reclama do tempo, da luz e da porta,
E me dá mil motivos pra eu resmungar.
Já vejo nós dois no futuro, sentados,
Xingando o relógio, a chuva e o vento.
Tomando um café bem amargo, abraçados,
E achando bonito esse nosso tormento.
Não troco essa nossa chatice por nada,
É a forma mais torta de amor já tecida.
Porque, no fim das contas, na nossa jornada...
Você é o arrabucho que me faz querer ser rabujento
Por toda a minha vida.

