sábado, 4 de julho de 2026

O Doce Arrabucho


Não peço um romance de conto de fadas,

De sorrisos frouxos e juras perfeitas.

Prefiro a paz das nossas caras amarradas,

E as nossas manias, tão insatisfeitas.

Você tem esse jeito de quem não se importa,

Um doce azedinho que aprendi a amar.

Reclama do tempo, da luz e da porta,

E me dá mil motivos pra eu resmungar.

Já vejo nós dois no futuro, sentados,

Xingando o relógio, a chuva e o vento.

Tomando um café bem amargo, abraçados,

E achando bonito esse nosso tormento.

Não troco essa nossa chatice por nada,

É a forma mais torta de amor já tecida.

Porque, no fim das contas, na nossa jornada...

Você é o arrabucho que me faz querer ser rabujento

Por toda a minha vida.