sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tristeza não tem fim... felicidade sim...

Tristeza não tem fim... se Vinícius e samba for...
Mas a felicidade é pra sempre se ao teu lado estou, mesmo que em pranto e por pranto... Felicidade sim.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A consulta...

... de minha vida, foi uma a pouquíssimo tempo.
Eu já perto do fim de minha carreira de anos dedicados aos cuidados de enfermos,
recebo em meu já notório consultório, localizado em um bairro nobre de minha cidade,
um paciente já com suas 80 primaveras ou quem sabe 90 invernos.
De face cansada, olhar sereno, como que já conhecidíssimo de todas as verdades do mundo e da alma humana,
entra em minha sala de exames logo após minha atendente informar que ele seria o último paciente do dia.
Ele entra caminhando devagar, como que tivesse todo tempo do mundo, eu em minha cadeira pacientemente espero e após um "bom dia" protocolar, pergunto a ele o que o aflige.
Ele sem delongas e sem cerimônias me rebate a pergunta com um: "a mim nada e ao senhor?".
Não entendo a pergunta e a ignoro, deixando-a passar como todas aquelas que poderiam atrapalhar o rumo da prosa que sempre leva a um emplastro, uma medicação de farmácia ou a recomendações diversas quanto aos hábitos de vida...
Então resolvo mudar o verbo e o pergunto : "o que o trás aqui senhor?", ele me responde de pronto: "minha vontade de me consultar, minhas pernas e o ônibus.", mais uma vez injuriado mas ainda paciente pergunto a ele por que motivo gostaria de se consultar comigo e ele me responde: "Para cobrar uma dívida, para pegar uma receita e para lhe dar os parabéns.".
Curioso e meio que assombrado pela necessidade de sempre saber todas as verdades o questiono primeiramente por que motivos eu merecia os parabéns e ele me responde: "Pelo seu dia, amanhã é seu dia e não consegui marcar consulta para amanhã!", recordo então que hoje é véspera do dia do médico, e como de praxe, costumo celebrar com meus colegas esse dia ao invés de abrir o consultório.
Bem agradeço então a lembrança e pergunto então o que mais o fez marcar a consulta, ele me responde: "...preciso também de uma receita, o remédio que tomo para minha artrite acabou e não consigo comprar mais com a receita velha que tenho...", pergunto a ele que remédio toma e o interrogo um pouco sobre sua patologia, ao fim, olho para ele e digo: "realmente o senhor é um artrite...", antes mesmo que terminasse a frase ele me olha e diz: "não doutor, eu sou o Ernesto, atrite é o que me faz mal, mas meu nome é Ernesto...", peço desculpas e não tento explicar o péssimo costume que nós médico temos de referenciar nossos pacientes por suas patologia. Bem mas seguindo a rotina, prescrevo o mesmo remédio que o senhor tomava, entrego sua receita e quando estou já me levantando para o acompanhar até a porta do consultório, ele se recusando a se levantar me pergunta do valor da consulta, eu digo a ele que isso ele trataria com minha secretária, ele me olha e diz: "mas me consultei com o senhor e não com ela...", digo a ele que realmente, mas que quem trata da parte financeira é ela, ele me responde que se não for a mim ele não quitará a consulta.
Então com muita paciência digo a ele o preço da consulta e recebo o valor em dinheiro de sua mão, que parece ser uma mão cansada e calejada, pergunto então já algo impaciente se há algo mais que ele gostaria de tratar...
ele me responde, agora só me falta cobrar a dívida que me tens... curioso que sou não me finjo de rogado e o  pergunto o que lhe devo, o senhor Ernesto sereno me responde que era uma conta antiga e não acreditava que eu lembrasse... eu que já estava a segurar a maçaneta da porta, retorno a junto do senhor Ernesto e pergunto a ele que dívida era essa... ele finalmente tirando os óculos me responde: "a de ser paciente..." e continua:
"Paciente em esperar por horas a porta do seu consultório para ser atendido, paciente por aguentar sua inquietude para que a consulta termine logo, paciente por me contentar com uma receita, paciente por esperar dias pela consulta marcada e paciente por ser paciente, pois sem mim você não teria razão pela qual trabalhar, pois quando tratas de doenças é na realidade a mim que estás tratando, e não as doenças que aprendeste em teus livros..."
"além do mais, paciente por ter de esperar mais de 50 anos, para me consultar com o moleque mais danado da rua, que tantas vezes roubou a paciência deste idoso paciente e paciente idoso com suas brincadeiras de bola, que teimavam quebrar minha janela, e pelos muitos sorvetes que paguei para o senhor e seus amigos de pelota..."
"paciente pois deixaste na rua em que moravas com teus pais, muitas saudades, e paciente pois o tempo não apagou da memória a saudade que sentia daquele garoto a quem contava minhas aventuras de quando mais moço e que sempre resmungava quando eu dizia que ele deveria ir para casa estudar se um dia realmente quisesse ser um médico famoso que tanto sonhava ser..."
"paciente pois aquele menino que foi para mim o mais próximo que tive de um neto, ou de um filho, nunca me deixou de verdade pois sempre o carregarei aqui no coração, da mesma forma: um moleque, frágil e inocente, que esperava curar todos os males  da humanidade sem que esta tivesse que dar nada em troca..."
Com os olhos mareados, encaro o senhor Ernesto, ou como o chamava, "seu Teto", com alguma vergonha e pergunto para ele o que deveria fazer para voltar a ser aquele menino tanto gostava de ser e que parece cada vez mais distante... e ele me responde que eu continuo a ser aquele mesmo menino, que apenas me esforço todos os dias para não deixar transparecer, atuando com máscaras e fantasias que escondem o que mais se deve ter quando se abraça a vida: amor.


domingo, 9 de outubro de 2011

E o meu domingo?


O que eu faço com o domingo se chove,
o sol tímido teima apenas em espiar entre as nuvens o desanimo de meu espírito...
esperava ser um dia como outro qualquer, e surpreendido pelo ócio penso em mim,
em minha egoísta vontade de ser, e desatenta maneira de viver sem perceber que sou.
Meu olhar desvia das vontades,
dos desejos,
dos julgos cotidianos do cidadão comum, que tem capacidade infinita de se saber certo,
de saber a diferença entre o certo e o errado, de ter apenas certezas, verdades, e nenhuma dúvida...
Me recolho a minha insignificância, e em oração agradeço por ter sido abençoado com nada além do que dúvidas,
e mais que isso,
por ter fé.

sábado, 8 de outubro de 2011

Não te atendo...


Me telefonas e não te atendo...
falar não convém pois escondo a tristeza de meus pensamentos, apenas nas teclas...
com palavras escritas com saudade e lágrimas,
Caminho sozinho...
tento seguir a linha da vida que divide a palma de minha mão,
mas ela é tortuosa, falha, estreita,
queria milhões de vidas, vividas,
queria respirar mais vezes sem sentir o morrer de cada dia ao fechar os olhos para o sagrado descanso...
te escrevo a verdade e suspeitas de minhas dores, minhas angústias, e de minha voz que não quer falar,
me resigno a tentar fechar os olhos, e viver o fim do dia,
amanha te ligo, te escrevo, e quem sabe entendas o porque de minha tristeza ser muda.

Mais um adeus...


Te pergunto para onde...
me respondes até o ponto...
O ônibus chega e confesso que te levar até a despedida é tortura...
dizer adeus, não sei,
a bagagem de nossos momentos vão ao seu lado...
minha alegria também...
um beijo,
um abraço,
mais um adeus...
você vai e algo me diz que devia ter te pedido para ficar...

Até logo...


A madrugada foi longa,
o sono tardou a chegar,
a nuvem de tristeza que rodeou meu dia finalmente se fez chuva,
molhou minhas lembranças com lágrimas de saudade...


terça-feira, 4 de outubro de 2011

A mentira...

é a isca do tolo, que morde
tal qual o anzol que é o gatilho de sua queda, e morre sufocado mesmo tendo a ar do mundo inteiro para respirar...

despojo de dor e consequencia,
ciência do pecado das neuroses e descasos, angustia, angustia, angustia...

ela anda léguas tal qual fama de cacheiro viajante,
e rápida como  a navalha do barbeiro, mas não qualquer um,
sim daqueles que tem clientes que o procuram para ter além da barba rente maquiagem vermelho vivo, em seus pescoços tenros, macios, e deliciosos ao corte...

o  barbeiro que atende apenas um seleto grupo de clientes, clientes que moram na lembrança de um homem perturbado pelo desejo, prazer e ódio, em fazer justiça com a própria lâmina...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Porque escrevo?


Escrevo por pensar, penso logo escrevo, se me fosse dado todo tempo do mundo,
gastaria escrevendo sobre as possibilidades que todo esse tempo iria me proporcionar...

se me concedessem uma tarde para ir a praia, talvez trouxesse a praia para dentro minha orelha,
tal qual o som do mar que sai de uma concha, passaria a tarde a escutar,
deixando apenas a mão livre a sentir o lápis,  papel e a liberdade do mar, sua brisa, o sol, e a lua do luau, imaginado por tantas vezes ao som de músicas para acampamento, e risos de amizades despretensiosas tal qual a de um cão que tem por seu melhor amigo sentimento puro e inconfundível...

o calor da fogueira, o sabor da bebida e o doce prazer da companhia do mais belo retrato, colado na janela da lembrança...

Um rosto sorri para mim...


e mais uma vez sinto contente, pois me é dado o prazer de compartilhar a beleza que o mundo tem em cada sorriso, em cada semblante, que mesmo que cansado, se faz afetuoso para as lente da polaroide, que instantânea, capta algo além de luz e tons, capta o tom de sentimento e vontade que tange a liberdade, vontade, desejo, do que é, pensa ser, e será...

... e penso na dor de viver


... e penso na dor de viver
viver vivendo, ao seu lado, ou apenas na ilusão de ao seu lado ainda estar,
na pureza  de meu sentimento e na doce amargura de teu desejo em estar comigo.

Me levanto em uma noite de lua,
a cama não aparece mais tão macia quanto as carícias que me fazes,
e a lua que banha minha consciencia soturna, bohêmia e laciva com o desejo de estar em teus braços,
não mais adoça minha ternura, meu sentimento,
me levanto e  afogo minhas angústia na máquina de escrever, para tentar esquecer um pouco das letras que torturam minha  mente , ante sentimentos de chuva, frio, e solidão.

meus sonhos confundem minhas ideias, num turbilhão de quadrantes, teoremas e algo de kafka confunde minha noção de realidade, não sei mais ao certo se sou borboleta, bem-te-vi, ou apenas homem que sonha, que tem ilusões, ou que tem esperança... vontade... sentimento... dor...

apenas espero, o dia nascer para não mais sentir a anguústia da solidão de uma noite sem lua, de não depender mais da companhia apenas do som das teclas zurumbáticas que acariciam as pontas de meus dedos, espero a doçura do sol, para despertar meus lábios que teimam em beijar o rosto do novo dia e do dia novo, mesmo sabendo da dor que está presente em cada despedida, em cada adeus, em cada "carpe diem", em cada vida que levo em cada dia, como o último dia, e como que cada dia fosse o último, contente apenas por saber que a previsão leviana e despreteniosa há de se tornar legítima um dia, e por um dia apenas...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"Realidades" médicas...


"A clínica é soberana...

... até chegarem os exames laboratoriais..."

sábado, 24 de setembro de 2011

Insista, Persista e nunca desista...


"Sabe aquela tal esperança? Quem morre depois dela sou eu!"

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma Tarde na Livraria... (10-08-2011)


"Será?"


"Acho que sim..."


"Falando sério..."


"Descaso"


"Foco e luz"


"Foco e concentração"



Para provar que era uma livraria...


"Livros?" (original)
Manoela Galvão (10-08-2011)



"Livros?" (Final)
Antonio Moraes Filho (25-09-2011)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Não sei ... Não tenho... Não quero...


Não tenho talento para viver na opulência, me condena culpa, de uma dúvida cruel, por quê eu!? Quando há tanta miséria no mundo por quê é dado a mim o direito de ter e viver bem? O pecado do julgar, orgulho, soberba, tange minha miséria espiritual, ignorância e imauridade, pois não sei ter, nem sequer minha vida. O que por muito me faz esquecer que vida não tem, se vive. E errando ou acertando, só se arrepende quem não tentou.

Mais uma do Tio Manduca...

Visitei como gato (cheio de arrepio, vadio, no cio como cavalo arredio) o boteco Santo Antônio, onde fui servido não a la carte. Afinal, um amplo auto-serviço me foi colocado à disposição, provei bastante coisa, embora tenha degustado com prazer a novidade do dia, O depertar de um gigante. Lobo que sou, devorei outras iguarias como a flor do brejo, ao tempo em que viajei numa madrugada solitária, sombria, triste, molhada, nublada, até chegar a um dia nirvânico.
O BSA tem dessas coisas.Tem apelos de fé, jogo das 16 palavras, mesmo que relute, mesmo que desperte. Afinal, mais que amar, o melhor do fim do dia é dormir. Dormir depois do amor, claro, o sono com gosto de paz e ausência, preparador para o retorno à vida, ou quem sabe ao recanto sagrado do Santo...

Armando Coelho Neto

Talvez o único a visitar este boteco, senão o único talvez o unico a beber, se não o único e pagar a conta, alias bem paga, tão bem paga que postar algo de suas linhas que fossem, o torna sócio do boteco.

Mais uma do Manduca...

"Uma dicotomia de qualidades e defeitos...mistura de vontades democráticas e muitas vezes sem nexo". Eis o fiel retrato de nossa contradição, caríssimo poeta. Constradições em sentido amplo e com derivações, já que ao mesmo tempo em que robustece o gigante de um lado, o enfraquece de outro, pois entre os democratas sobrevivem os exploradores e os tiranos!

Armando Coelho Neto

E muito menos nobres esses neo-tiranos, pois além de tiranos são covardes e talvez mais covardes do que aqueles que imprimem regimes ditatoriais, pois o tiranos dos dias de hoje, possuem cara lavada mas que de limpa não tem nada. Pois tão pouco serve para estampar um poster ou uma camisa de jovem aborrecente.

As vezes sinto...

As vezes sinto dor de tanta vontade de chorar,
é a té difícil de explicar, pois por muito
a dor precede o choro,
como o inverso é mais comum na tocada, e de tão vulgar o diferente se faz regra....
Graças que em toda regra há aquilo que pra toda regra há e algumas vezes consigo verter lagrimas, a maior parte no escuro de minha alma, e no silencio da madrugada... a verdade é que não sinto ter direito de ser triste, pois exerço a plenitude de uma vida feliz e contente, e me retiro assim do grupo daqueles que podem ser tristes, talvez por querer que a razão seja mais forte na queda de braço do amor, pois chorar é se saber amar ou amado pois o choro é dor  do medo de perder o amor que se tem...