sábado, 12 de janeiro de 2013

Iracema...

Iracema...
Flor de açucena nos cabelos da morena com nome de flor...
... Flor do caminho e de outrora, uma pena.
Não te encontrar, não te ver, não sentir o aroma de café..
 e o cheiro cinza que compartilhavamos...
o sabor do tabaco, fruto do medo... sabor de pecado, do por vir.

Iracema, do caminho,
uma das que vale a pena,
       guardar,
       amar,

e plantar,

no coração.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O pássaro...


assumi ser... desde que criança, me descobri velho... pois nasci velho, consumido por pensamentos que resultaram de uma infância sempre a espera do pior. Primeiro um pássaro, não recordo bom, de que espécie, pois manchado de negro, o sangue negro, combustível do desenvolvimento agonizava, tendo a morte à espreita, vítima de mais um derramamento de óleo, desnecessário em uma praia distante de meus pensamentos, mas perto dos sentimentos que já espreitavam meu coração. Depois, a água, anuncio apocalíptico de uma guerra que já começou. A falta dela seria anúncio, fruto do desperdício e irresponsabilidades para com as matas que qual centuriões protegem a mãe de todos os frutos, animais e vida.
Então me veio outro Antônio, o dito Conselheiro, que surgindo de um livro de história me ensinou o significado do milenarismo, e de uma cultura que implica na necessidade de um fim próximo, para que o homem perceba que realmente estamos no fim... implicando então numa política de acerto de contas, da expressão do medo... medo do incerto, do que não se afere, se vê, e que só enxerga o coração do puro de fé.
Então o anuncio do bug do milênio, de outras ditaduras que surgiram com interesses não menos escusos daqueles que lucraram com a morte do mergulhão... E percebi que a propriedade, a necessidade que o homem tem de ter, prazer engatilhado pelo desejo, querer irredutível e mundano, nos distraem do que realmente importa.
Pequenas, simples, e tão importantes para uma vida de paz, contentamento e alegria... são o que realmente nos protegem do medo do incerto, do depois, do além...
A paz que hoje habita meu peito, de jovial cidadão, pacato e contente com o pouco, me veio de uma consciência de que é preciso ter medo para sentir o abismo interior que habita todo e qualquer vivente... e que a necessidade de preencher este vazio é suprida de diversas formas.
Coisas vazias, qual carro, praia, tv, futebol... distrações vis para um homem que procura preencher a aridez espiritual e que a cada passo que dá, frustra seus anseios, pois caminha na direção contrária, pois é incoerente preencher o íntimo com algo tão concreto.
Antônio me disse em sonho, que o profeta veio, e vem todos dias para aqueles que sentem sua presença... para aqueles que perceberam que nunca o etéreo será preenchido com o etílico, de cada posse, que inebria ainda mais a mente do humano mundano.
Longe de mim, pregar a pobreza absoluta, e só entenderia desta forma estas também humanas palavras, aqueles que realmente já comeram muito pão e desfrutaram de muito circo. Pelo contrário, é preciso comer, beber, sorrir, cantar, vestir e chegar... mas não fazer disso o caminho, e sim o meio.
Continuo, jovem, rebelde, e incendiário... pois o que guardo, é a imagem do pássaro... pois por ele não pude fazer nada...
Portanto, me resigno a cantar a música do pássaro que um dia cantei em viagem ao desfrutar as privações do tempo, e a tempo, perceber na atenção e sensibilidade de uma criança a esperança no amanhã.




Dedico ao tio Manduca, pela inspiração... pois estas palavras foram fruto de uma crônica publicada na revista Artigo 5o (www.revistaartigo5.org.br) que está logo abaixo... e pela graça de ser o responsável por meu primeiro impresso...




A canção é "Pássaro Proibido" em http://youtu.be/TWWnquASxxU .

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Te amo...

e insisto tanto em te dizer q quase desisto de fazer vc acreditar....
entao... qnd durmo e acordo ao seu lado... percebo q n ha jeito...
de desistir....
deixo de brigar... e como guerreiro derrotado, sigo os designios ditados por meu coracao.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Poucos principios de um fim...

Princípio físico inegável...
o que vai por onde foi...

voltará por onde veio.

O veio por onde foi...
voltará de onde veio...

Elá contente e satisfeito será.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

É notícia...

Fotógrafo: Antonio Moraes Filho
Equipamento: Suely Rios

domingo, 9 de dezembro de 2012

A ideologia morreu...

... No coração daquele em qual ela nunca...
Nunca, realmente viveu.

Morreu...
Naqueles em que era apenas sede juvevil...

Naqueles que já deixaram de ser icendiários e já viraram bombeiros...

Naqueles que já se omitiram, se corromperam, e que cansados não vão mais a guerra...

A guerra, que mesmo que difícil, cansativa, e por vezes inútil, ainda que a custa de muito ainda produz frutos raros...

Raros como a beleza de um sono tranquilo...
De uma paz de espírito...
Que só o soldado da paz conhece e tem intimidade...
Mesmo em tempos de guerra.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

... por Manduca ...

Foto: "Sherlokiando..."
Fotógrafo: Armando Coelho Neto
Set/2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O sabonete...

Hoje, viajarei...

Serão 36 horas rumo ao norte...

Eu e a arara vermelha, com o vento ao rosto, ladeado por sonhos em suspenso. Adiados pela vontade de fugir... E pelo simples prazer de poder voltar..

Ao preparar a bagagem, levo um sabonete, o sabonete que ganhei de uma puta triste que ainda chora o adeus de sua amada...

E choro...
Choro de saudade... Mas não apenas daquela puta triste, mas dos sorrisos, tragos, alegria e prazerer etérios e etílicos desfrutado juntos... Dos amigos...

Boemia...
Daquele tempo me resta apenas as noites e a saudade.

Decolo... Abro os braços... O vento no rosto e apenas o horizonte como limite irreal de uma vida sem limites.

A beleza do amor...


Alguns delegam ao amor a arte de cuidar...
como planta a germinar...
com carinho e atenção...
água,
luz,
chuva,
sol,
verão...

De rimas pobres,
afirmo ciente,
loucamente, entediado e sabido de vida,
que o engano faz parte dessa afirmação.

A essência do amor, e o seu delegar,
estar em reconquistar,
dia após dia, quem estamos a desejar,
seja com verso,
prosa,
música ou poesia,
até mesmo, ceder um pouco, para quem devemos ou desejamos ficar...

O amor, sua função-mor, reside no conflitos,
pois sem conflitos e provas o amor não há de se solidificar...
será sempre cimento fresco,
demão recém pintada,
e há de manchar,
magoar,
entediar,
e quem sabe disso, desta semente,
até mesmo uma inimizade pode brotar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Bartolomeu Bueno Prado


Estava eu,
um negro de vinte e sete anos,
vividos aos pés do arado, e com o arado nas mãos,
a dormir em casa de senhorio...

Lili, como era chamada a sinha-moça,
deslumbrante virgem de quatorze anos, ainda velava a morte do coronel,
triste vítima de um tiro acidental de seu capitão-do-mato.

Desfilava na casa-grande, de camizola apenas...

E eu a vigiar a segurança dela e da sinhá...

Era noite quando no quarto,
a dormir, em seu branco leito...

A acordei...

Descuidado, ao pisar no assoalho de madeira, já velho e mofado por falta de manutenção...

Assustada não piou, ou teve qualquer reação quando sentei a seu lado,
de olhos ternos, parecia não me temer, algo raro naquela região...

Toquei seu rosto e deslizei minha mão por entre seus seios, que mais pareciam duas uvas ainda verdes e duras... sem qualquer receio, arrisquei um pouco mais... pus minhas mãos em suas desnudas pernas em direção ao que me parecia inatingível...

ela me olhando com carinho, nenhuma reação esbossou...

a violei...
a fiz sangrar...

ela não gemeu...

arriscou um grito de dor que foi impedido por minha mão negra e rude em sua boca...

depois de um tempo já havendo satifeita minha vontade esperei que voltasse a dormir em meio a rubra cor da mancha em seu lençol.

A visitei muitas vezes e por muitos anos...
Até que um dia ela me foi levada por um doutor da capital...

mesmo assim,

nunca me arrependi de ter dado cabo do coronel.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Cavaleiro Andante

Agora, meu doce menino, / Que um raro amor hoje ensina, / Que com seu fraterno hino / Tenta mudas nossa sina...

Armando Coelho Neto
Autor

Antonio Moraes Filho
Padrinho

Rebento Pagão

Para Cavalaria da Cachaça Mistica:

... muitas vezes mais importante que a atitude é a maneira de agir...
Mesmo que que isso implique em nada fazer...

Aquiescer...
Repousar em berço
esplêndido...
Esplêndido!

Cochilar a mágoa,
saudade,
tristeza ou desespero...

ansiedade.

Lutar contra moinhos de vento exige muito do Cavaleiro, do exército de um homem só,
Do silêncio da noite...

Das amarguras e mágoas, só guardo alegrias...
Pois em nenhuma chance...
Elas foram em vão.

Agora cansei... Favor... Batizem o rebentos, pois as linhas ainda choram por acabarem de nascer.

Antonio Moraes Filho
Autor

Armando Coelho Neto
Padrinho

Reaconteço!?

Vim te comigo solitário / Noite fria, lua oculta, viés dominical / imerso em meu santuário / Me reaconteço em Blumenau / O que se me ocorre não é o que me recorre / Se minha bagagem sou eu / Nessa dor que se reveza / Do que me arfar nesse breu / Se o que me apraz só me, e só, me...

só me pesa?

Armando Coelho Neto
Autor

Antonio Moraes Filho
Padrinho

Minha borboleta, os lírios e o sonho...

Vivi...
a dimensão de saudade, minha loucura...
Sem adjetivos...

... foi estranho o crocante floco de cinzas que virou pó e me deixo perfume nas mãos.

Eles perfumam? Que importa!?
Há um simbólico nisso como, como se Deus não existisse e quizesse me dar a prova.

Foi surto?

Seria sonho, sonhamos juntos...

E continuo a te amar

...

Armando Coelho Neto (Tio Manduca)
Autor

Antonio Moraes Filho
Padrinho do Rebento

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A borboleta...

Observo da janela uma borboleta...
Ela voa como voas agora...
Livre, longe do que um dia foi o teu cárcere...
Alegre por poder desfrutar da liberdade inerente a teu espírito...
Pousa sobre os lírios que hoje se alimentam daquilo que um dia foi parte de ti...
Em sonho me demonstra como estas alegre, e tua feiçao jovial me lembra mais uma vez a borboleta que vi voar através da janela...

sábado, 13 de outubro de 2012

Tânia... (Copos de leite... )




Acordo...
Acordado meu corpo pede um trago...
A bela jaz agora no vaso...
Junto a violetas na janela...
Copos de leite lhe fazem companhia...
E agora respiram...
E se alimentam dela...
A rainha não perde a majestade...
A flor...
Se alimenta dela...
Respira por ela...
As flores, agora ela...
Que sempre foi flor aos olhos de quem hoje a vela...
A bela, a flor, o vaso e a era.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Medo...






Medo de ter medo de temer você...